Travessia Marins Itaguaré finalmente

Para quem acompanha o blog deve lembrar que no feriado de 9 de Julho eu e dois amigos tentamos fazer a  Travessia Marins Itaguaré, infelizmente o tempo acabou obrigando a volta. Todos os feriados depois ou choveu ou tive que trabalhar. Pois neste feriado de 2 de Novembro resolvemos tentar novamente, desta vez com sucesso.

Já na semana anterior tínhamos desistido de ir tentar a travessia: afinal de contas alguém já viu um feriado de finados sem chuva? Apesar disso fiquei todo tempo de olho na previsão pelo site do CPTEC. E olha que sexta feita de manhã ele marcava 80% de chance de chuva na serra.

Durante a tarde tudo mudou :17% de chance de chuva… uhuuuuuuuu!!! Depois de dar um grito e levantar os braços no meio do serviço e alguns comentários de “este é maluco”, já melhorou o ânimo para o resto do dia.

Chegando em casa no começo da noite e alguns telefonemas já tinha o acampamento marcado para sábado logo cedo, prevendo voltar na segunda a tarde. Mas e a comida? Não havia quase nada em casa para levar, nem mochila arrumada, nada!

Corre para supermercado, compra qualquer coisa, volto para casa e vamos ao desafio inicial: enfiar tudo para travessia de 3 dias em uma mochila de 45 litros, que por sinal iria inaugurar neste acampamento. Além disso também iria inaugurar a nova barraca.

Agora pensando bem veja só o risco: inaugurar equipamentos numa travessia de 3 dias, e se algo da errado ou o equipamento se mostra ruim. Bom… eu comprei um bom equipamento, e tinha fé nas escolhas e na minha experiência em saber se virar em dificuldades.

Logo sábado de manhã e estamos na estrada para o ponto base do Pico dos marins, mantido pelo Nilton é uma pequena casa onde se pode contar com banheiros, chuveiros, estacionamento, água e até porção de queijo! Só é necessário tomar cuidado para não ficar de papo e esquecer da hora de subir a montanha.

Para quem nunca foi ao Pico dos Marins a caminhada começa numa pequena estrada, passando por porteira que divide área de proteção ambiental, indo ao morro do careca onde se passa por uma pequena mata(ultimo ponto de água até quase o topo dos marins) e ai sim começa o cenário de altitude que eu tanto gosto.

Durante todo sábado o tempo se alternou entre pequenos trechos de Sol e neblina, oque no fundo foi ótimo pois pegar um dia muito ensolarado em montanha é dureza, para quem acha que Sol de praia queima vocês não viram nada.

A travessia Marins Itaguaré é feita boa parte pelo lado de Minas Gerais e não exatamente na crista da serra. è um constante sobe e desce: sobe o Marinzinho, desce um pouco, sobe novamente, desce , sobe a Pedra Redonda, desce…ou seja é bem cansativo.

As duas fotos abaixo são uma visão de longe da Pedra Redonda (uma pedra equilibrada em cima de outra bem no topo da montanha) é basicamente metade da travessia e onde acampamos no primeiro dia.

Neste ponto encontramos com um grupo de 3 pessoas fazendo a travessia no caminho inverso, apenas com cantil e lanche estavam fazendo a travessia em 1 dia apenas. Nós levamos dois dias na travessia e um dia voltando pela estrada até onde estava o carro.

Chegando na Pedra Redonda decidimos acampar bem ali no topo. Justamente embaixo da pedra Redonda. E la vamos nós armar a nova barraca.

acampamento na Travesia Marins Itaguaré

Barraca mini-pack da Azteq na pedra Redonda – travessia Marins Itaguaré

Barraca mini-pack da Azteq na pedra Redonda – travessia Marins Itaguaré

Bom como notaram finalmente comprei a mini-pack da Azteq, em relação a minha antiga Bivak 1 da Trilhas e Rumos posso dizer que é uma comparação até injusta. A mini-pack não só é leve como é muiiiiiiiiito mais espaçosa, é barraca para duas pessoas dormirem sem equipamento tranquilo. Para uma pessoa é muito bom. Excelente material e fácil de armar, deve-se dar atenção especial em manter a lona externa separada da parte interna para evitar condensação.

A cor é realmente um ponto de destaque na montanha, mas até acho que tem seu lado bom nisso. Ela dispõe de abas ou saias muito usadas em locais de neve para manter a barraca firme e vedada, aqui no Brasil acho que só diminuí a ventilação da barraca, mas ainda não sei se vale a pena retira-las. Afinal ainda esta na garantia.

A vista do nascer do Sol a partir da pedra Redonda é fantástica:

nascer do sol visto da pedra redonda – travessia marins itaguaré

nascer do sol visto da pedra redonda – travessia marins itaguaré

Dia claro, pé na trilha! E la vamos nós rumo ao Itaguaré, neste dia ameaçou chuva mas acabou se resumindo a 20 minutos de garoa leve.

Infelizmente não tenho tantas fotos deste segundo dia por um motivo simples e ridículo: estava quebrado. Um dos erros que cometi nesta travessia foi não me alimentar bem, acabei ficando sem forças oque só veio a piorar com meu joelho doendo. Mas disto eu falo no final do post.

A fase final da travessia é muito mato, as encostas que subimos e descemos são cobertas de vegetação, durante este treço perdemos o caminho algumas vezes por alguns metros, mas no geral a trilha é bem marcado.(fora o fato de um idiota marcar as pedras com tinta amarela indicando um caminho errado para a pousada do tal fulano e não indicando a trilha da travessia, pisada  de bola…. a por falar nisso já que vai escrever e acabar com a paisagem escreva “ABRIGO” certo nas pedras, nem é tão difícil são só 6 letras, se precisar indico uma professora de português)

Bom finalmente chegamos ao Itaguaré (2.308 m de altitude)

Bonita montanha não?

Paramos para descansar próximos a base do Itaguaré pois ainda haveria uma descida enorme até a estrada. Para piorar eu andava com dificuldade devido ao joelho doendo.

O campo base do Itaguaré é um descampado a beira de um rio bem na estrada. Poxa local sensacional para se montar barraca e ficar um ou mais dias. Água corrente, sombra, local plano. Chegamos logo no final da tarde de domingo e montamos acampamento  lá para seguir pela estrada logo cedo.

Amanhecendo o dia montamos o equipamento na mochila e fomos pela estrada, ja com o joelho bem melhor e sem as descidas íngremes foi bem mais fácil. Apesar que ainda restava 16 Km aproximadamente até o local onde deixamos o carro(fizemos este trecho em 4 horas e meia mais ou menos).

Chegamos na base do Marins aprox. às 12 horas e 5 latas de guaraná e meio queijo provolone depois estávamos na estrada retornando a Lorena.

Bom foi um grande acampamento, algo que estava faltando no meu curriculum, pois é praticamente no quintal de casa. Cometi alguns erros e aprendi com todos.

Falhei em levar sozinho a barraca no primeiro dia(onde o ganho de desnível era maior e mais árduo) e não usar o bastão para poupar meu joelho velho de guerra. A mochila nem estava muito pesada, mas devia ter poupado o joelho para os 2 dias seguintes.

Também com a correria de arrumar tudo não escolhi bem a alimentação, acabei não tento vontade de comer oque só acabou com minhas energias no segundo  dia principalmente, sem energia meus músculos não estabilizaram bem o joelho e lá vem a dor de joelho novamente. Um das coisas que fiquei chateado foi as famosas barrinhas de cereal da Neston que sempre levo, corri 2 supermercados e não as achei levei outra que se provou horrível e seca(acabei consumindo mais água).

Bom aprendi outras coisas que irei postar e demonstrar em outros post no site. Assine nosso RSS ou me acompanhe no Twitter para saber das novidades.

Publicado em Acampar, Metas e Objetivos Marcado com: , , ,
8 comments on “Travessia Marins Itaguaré finalmente
  1. Lex Blagus disse:

    Olá Carlos!
    Parabéns pela travessia!
    Quero falar sobre a barraca da Aztec: eu comprei há pouco tempo uma Nepal, e estou extremamente feliz. Acho que a Aztec foi muito feliz na escolha do fornecedor deste equipa

    abraços!

    • Carlos disse:

      Obrigado pelo comentário, a qualidade da barraca é excelente mesmo. Para quem quer barraca de 1 pessoa eu recomendo será muito espaçosa e pesando pouco. Podendo ainda acomodar 2 pessoas.

  2. Gerson disse:

    Carlos, eu e mais alguns amigos também tentamos fazer a travessia no 9 de julho, mas o mau tempo frustrou nossa aventura.
    Acabei conseguindo concluir a travessia no dia 11 de outubro, sozinho e em apenas um dia (em 2008, fiz em três dias).
    Bacana o seu relato e suas fotos.
    Um abraço e felizes aventuras!

    • Carlos disse:

      Obrigado pelo comentário Gerson, provavelmente nos encontramos então de passagem no 9 de Julho na montanha.
      Quando fizemos a travessia também encontramos pessoal fazendo o caminho Itaguaré-Marins em 1 dia. Mas acho que ainda não tenho preparo para tentar. Provavelmente estarei la de novo no Carnaval.
      Gostei de seu site… parabéns e boas aventuras!

  3. Evandro disse:

    A mochila vc usou a Santiago 45L ? O equipamento coube tudo nela ? Ela é confortavel ? Passou no teste ?

    Abraços.

    • Carlos disse:

      Usei a Santiago 45L sim, todo equipamento coube nela tranquilo, não costumo levar muita coisa e a unica coisa que ficou pelo lado de fora foi um squeeze de agua que eu ia tomando pelo caminho.
      Tenho um amigo que fez a Serra fina usando a mesma mochila versão SL, acho que o segredo é ter equipamento leve e pouco volumoso.
      A mochila passou no teste sim, não é tanto confortavel como minha cargueira Equinox 75l(barrigueira pequena na Santiago), mas como ela leva menos peso foi mais que o suficiente. Recomendo a mochila.

      Fazer travessia de vários dias com mochila 45 L é uma arte em saber escolher bem oque levar.

      • Evandro disse:

        Estou vendo que ela vai ser minha proxima companheira de trilha.
        Vc colocou a barraca e isolante termico dentro dela ?

        Abraços.

        • Carlos disse:

          Dentro dela foi todo meu equipamento, inclusive barraca, não tinha isolante térmico e nunca usei.
          Comprei um recentemente mas ainda não tive oportunidade de usar, um isolante de eva não cabe dentro pelo volume, mas um light auto-inflável por exemplo acho que até caberia.
          Abraço e boas aventuras

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